segunda-feira, 3 de março de 2014

A Rainha no Palácio das Correntes de Ar de Stieg Larsson

Sinopse

Lisbeth Salander sobreviveu aos ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital, completamente impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se isto não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos menos graves e intenções mais maquiavélicas… Entretanto, mantêm-se as movimentações secretas de alguns elementos da Säpo, a polícia de segurança sueca. Para se manter incógnita, esta gente que actua na sombra está determinada a eliminar todos os que se atravessam no seu caminho. Mas nem tudo podia ser mau: Lisbeth pode contar com Mikael Blomkvist que, para a ilibar, prepara um artigo sobre a conspiração que visa silenciá-la para sempre. E Mikael Blomkvist também não está sozinho nesta cruzada: Dragan Armanskij, o inspector Bublanski, Anika Gianini, entre outros, unem esforços para que se faça justiça. E Erika Berger? Será que Mikael pode contar com a sua ajuda, agora que também ela está a ser ameaçada? E quem é Rosa Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?

A Minha Opinião

E está assim devorada e adorada a trilogia Millenium de Stieg Larsson ... Surpreendente e entusiasmante desde as primeiras páginas de Os Homens que Odeiam as Mulheres até ao último capítulo de A Rainha no Palácio das Correntes de Ar. Um verdadeiro feito que nem todos os autores têm a capacidade de alcançar, mas que Stieg Larsson conseguiu com mestria.

O que dizer deste último volume da trilogia? De todos os livros, penso que este foi aquele que acabou por ter mais altos e baixos. Houve coisas pelo meio, nomeadamente a explicação dos meandros da Secção e das pessoas que integravam essa organização, que pareciam arrastar-se e que quebravam o ritmo da história mas, o mais curioso, é que acho que tal não se deveu ao simples facto de nesses pontos o livro ser mais descritivo. A introdução de novas personagens, com nomes que tive alguma dificuldade em decorar, acabou por se revelar especialmente penoso para mim. Cheguei a um ponto em que já confundia quem é que trabalhava para quem e onde e de que lado é que estava!

Outro aspecto que, na minha opinião, não estava tão bem conseguido era a história de Erika. Por um lado, foi bom ficar a conhecê-la um pouco melhor e vê-la com uma vida separada da Millenium e do Mikael. No entanto, acho que acabou por ser um desenvolvimento completamente desnecessário, que pouco contribuiu para o avanço da história e que, provavelmente, teria poupado algumas páginas ao livro. Poder-se-ia, contudo, considerar que esta história acabou por ter os seus efeitos em Mikael, dado que ele começou a explorar outros horizontes, e que, de certa forma, permitiu criar uma estranha cumplicidade entre Lisbeth e Erika. 

Por fim, e no que diz respeito às últimas 150 páginas do livro, devo admitir que, apesar de ter gostado, achei tudo demasiado otimista e pouco realista. As peças encaixaram todas demasiado bem e, na vida real, isso dificilmente teria acontecido, especialmente se tivermos em conta a dimensão de toda esta operação. Para além disso, acho que o livro acabou por criar um suspense demasiado grande para o desenlace que se veio a verificar.

No entanto, houve aspectos que brilharam, especialmente os Cavaleiros da Távola Chanfrada, seja pela lealdade deste grupo de pessoas a Lisbeth, seja pelo facto de terem dado tudo por tudo para ajudá-la. Para além disso, a relação de Mikael e Lisbeth continuou a proporcionar dos meus momentos favoritos de toda a história. Apesar de lidarem pouco de forma direta - aliás, durante grande parte da história, apenas falaram através de computadores -, gostei bastante do facto de terem um impacto tão grande na vida um do outro e de se conhecerem suficientemente bem para estarem em sintonia no que faziam.

Em suma, uma boa conclusão para esta trilogia, apesar de ser impossível não ficar com vontade de ler mais sobre estas personagens. Enquanto policial, penso que estes foram dos melhores livros que já li dentro do género, não só pela história, mas também pelas suas personagens e pela forma como consegue manter o leitor preso às suas páginas desde o início até ao fim.

Classificação: 4 estrelas.

 

6 comentários:

Jose disse...

Também tive essa dificuldade com os nomes, mas penso que esse seja um problema adjacente da internacionalização e não do próprio livro... Por outro lado, esta série estava destinada a ter 10, e não 3, livros, não fosse a morte do autor, pelo que é possível que a Erika tivesse um papel mais importante no futuro.
De qualquer forma, o primeiro livro da saga é aquele que me parece mais bem conseguido e as personagens, nomeadamente a Lisbeth, são memoráveis.

Ana Costa disse...

Sabia que era suposto haver mais livros, mas não sabia que era para chegar aos 10. Eu penso que, mesmo assim, a trilogia como está até tem um ar relativamente completo. Claro que há coisas que ficam no ar, mas penso que não se poderia dizer que esteja mal concluída.

O primeiro livro eu acho que foi mesmo o melhor, se bem que o 2º também estava bastante bom, principalmente por causa do desenvolvimento da Lisbeth. Este também é bom, apenas achei que algumas coisas pareciam desnecessárias. Mas é a tal coisa, como a ideia era continuar a série, provavelmente essas coisas seriam explicadas mais adiante ou teriam outro desenvolvimento.

Fiacha disse...

Viva,

Não sei se este livro é a conclusão da trilogia pois penso que estava previsto serem escritos mais livros, anda assim bom comentário e foi uma trilogia que adorei ler, muito boa :)

Ainda bem que gostaste :D

Bjs

Ana Costa disse...

Hey

Acabou por ser um final forçado tendo em conta a morte prematura do autor ... é pena, porque gostava de ver como é que alguns aspectos seriam posteriormente desenvolvidos. Mas sim, é um excelente trilogia, também gostei bastante de a ler :)

Bjs

nuno chaves disse...

Espectacular esta aventura que também fiz, creio que há uns dois anos. penso que o final foi o mais adequado e e mesmo que o autor tivesse tido tempo de escrever mais uns quantos, creio que não iria divergir muito deste aqui.
Lisbeth é uma personagem inesquecível e tenho a certeza de que o tempo o provará.
Soube-se que a mulher de Larson estava a pensar dar uma continuação à história... esperemos que sim... gostei muito de ler esta trilogia, que foi a minha estreia com os chamados policiais nórdicos, depois disso li "O Hipnotista" da dupla Lars Kepler e também gostei muito.

Ana Costa disse...

Não sabia que a mulher do Stieg Larsson queria continuar a história. Poderá ser interessante, mas veremos se ela consegue igualar o trabalho do marido, ou pelo menos fazer-lhe alguma justiça e não dececionar os fãs.
Tenho alguma curiosidade em relação a O Hipnotista. Para além de Stieg Larsson, também ainda não li mais nada de policiais nórdicos, mas pelos vistos estão bastante na moda.

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